Crimes conhecidos como ‘entradinha de garagem’ viram rotina na Zona Sul
Cruzamento das ruas João Pessoa e Professor Miguel Couto é considerado um dos pontos perigosos do bairro. Foto: Julio Silva 
Câmeras de segurança tentam intimidar ação de bandidos que agem em plena luz do dia. Foto: Julio Silva
Moradores contam que criminosos atacam suas vítimas nas entradas e saídas dos condomínios, geralmente quando estão parados aguardando o portão da garagem abrir
Bandidos estão adotando uma nova modalidade de crime no Jardim Icaraí, em Niterói, que já foi apelidada como “entradinha de garagem”. Segundo moradores do bairro, criminosos estão atacando suas vítimas nas entradas e saídas dos condomínios, geralmente quando estão parados aguardando o portão da garagem abrir.
Não há hora para acontecer o ataque. Os criminosos, segundo relato dos moradores, atacam tanto à noite quanto em plena luz do dia. Os crimes são praticados em várias ruas, mas uma das consideradas mais perigosas pelos próprios moradores é a Rua Professor Miguel Couto.
“Meu filho e minha nora foram rendidos por dois homens armados quando esperavam o portão da garagem do prédio abrir. Eles estavam a pé e levaram o carro deles. Dias depois o carro foi recuperado nas mãos de outros dois bandidos. Eles não eram os mesmos que tinham roubado o carro aqui”, contou uma moradora.
Ainda de acordo com moradores, não há qualquer tipo de receio, por parte da criminalidade, em relação a patrulhamento policial ou câmeras de segurança instaladas nos imóveis.
“Os crimes aqui não têm hora para serem praticados e os bandidos utilizam-se de diversos artifícios atacando os moradores com motos, bicicletas e até a pé. Alguns comerciantes buscam contratar seguranças para se protegerem dos bandidos. Mas acho que nem isso adianta”, declarou outra moradora.
O medo de serem surpreendidos por assaltantes também obrigou alguns taxistas que fazem ponto na Rua Ministro Otávio Kelly a mudarem de local, sempre que escurece.
“Procuramos locais mais seguros e com movimentação. Lá estávamos num ponto vulnerável, com pouca movimentação de pessoas”, justificou um motorista de táxi.
Se o número de assaltos no bairro é considerado alto pelos moradores, o de prisões efetuadas pelas polícias também é.
De acordo com os últimos números divulgados pelo Instituto de Segurança Pública, na área da 77ª DP (Icaraí) - responsável pelas ocorrências na região - nos dois últimos meses (janeiro deste ano e dezembro do ano passado) foram 149 prisões e apreensões de menores, em parte, resultado das recentes operações nas favelas da região.
Rótulos - Há alguns anos, outro tipo de delito que também se tornou frequente ganhou o apelido de “saidinha de banco”, que passou a ser usado até pela polícia. Neste caso, as vítimas costumam ser atacadas ao deixar agências bancárias após efetuarem saques.
Histórico de violência
Em março do ano passado, moradores da Zona Sul encararam uma onda de violência. Num curto período de tempo, uma dupla de motociclistas armados atacou comerciantes do Jardim Icaraí, levando mais de R$ 1 mil.
No mesmo período, o dono de uma padaria na esquina das ruas Dom Bosco e Ari Parreiras foi surpreendido por bandidos quando chegava para trabalhar por volta das 6h. Armado, um dos homens mostrou uma pistola e o obrigou a entregar todo o dinheiro.
Minutos depois de assaltar a padaria, a mesma dupla assaltou uma banca de jornal na esquina da Rua Geraldo Martins com Mariz e Barros.
Na época, a escalada da violência levou a Câmara de Vereadores a encaminhar uma Indicação Legislativa ao 12º BPM (Niterói) solicitando mais segurança para os bairros de Icaraí, Jardim Icaraí e Santa Rosa.
Segurança privada como alternativa
Para conter a onda de assaltos, comerciantes locais buscam alternativas. De acordo com um empresário que é dono de restaurante na Rua Erotides de Oliveira, a saída para evitar surpresas foi a contratação de seguranças. Em média o custo mensal deste investimento pode chegar, segundo ele, a R$ 2 mil.
“Se não fosse a contratação de seguranças, acredito que os casos de assaltos e roubos seriam constantes aqui. Hoje, há diversas ruas críticas no bairro. Minha esposa estava na Rua Cinco de Julho e foi rendida por um homem de motocicleta que vinha na contramão. Perto daqui, um amigo também foi roubado por quatro homens”, contou.
De acordo com o major Celson, do 12º BPM (Niterói), a Polícia Militar irá fazer um novo planejamento para atuar sobre essa nova mancha criminal.
“Esses criminosos estão procurando novas alternativas, pois estão sendo reprimidos em seus pontos estratégicos [as favelas]. É natural que no período de festas os índices de criminalidade apresentem ligeira elevação, mas os números ainda estão sob controle”, garantiu o militar.
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