Projeto do Túnel Charitas-Cafubá terá cobrança de pedágio
Em audiência pública foram apresentados mais detalhes sobre o túnel. As obras devem durar cerca de dois anos. Foto: Júlio Silva
Detalhes da implantação e operação do Túnel Charitas-Cafubá foram apresentados em audiência pública realizada pela Emusa, a pedido do Ministério Público
Os detalhes da implantação e operação do Túnel Charitas-Cafubá foram apresentados nesta quinta-feira à população durante uma audiência pública realizada pela Empresa Municipal de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa), a pedido do Ministério Público. Dentre as solicitações da sociedade, destaque para os pedidos de que seja revista a questão da cobrança de pedágio, prevista na concessão; além de que seja priorizado o transporte coletivo e viabilizada uma ciclovia.
O projeto, que passou por adequações desde a última audiência pública, em 2008, prevê que sejam implantadas duas galerias subterrâneas, uma de ida e outra de volta, de 1,3 km cada. O túnel vai ser construído e administrado pela empresa vencedora do edital de licitação. As obras estão orçadas em R$ 98 milhões, com previsão de dois anos de duração, e o retorno financeiro será obtido através da cobrança de pedágio nos dois sentidos. O projeto de 2007 previa o mesmo valor cobrado pela Ponte - na época R$ 2,50 -, que deve ser ajustado.
O secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, afirmou considerar acertada a decisão do município de abrir licitação para a iniciativa privada realizar a obra. Explicando pelos motivos de o Governo do Estado não arcar com os recursos, ele ressaltou que a verba da sua pasta está voltada para a implantação da linha 3 do metrô, ligando Niterói a São Gonçalo.
“Postergar esse processo de implantação do túnel por ausência de recursos é condenar a sociedade. A demanda por essa obra é real e não pode esperar, mesmo com pedágio. Detalhes apresentados neste encontro vão contribuir para o projeto”, argumentou.
O presidente da Niterói Transporte e Trânsito (Nittrans), Sérgio Marcolini, afirmou que o projeto do túnel está ligado a todo o Plano Viário que está sendo implantado na cidade, priorizando o transporte coletivo. Ele disse que a cobrança de pedágio é necessária, não só para viabilizar as obras, como para equilibrar o tráfego de veículos vindos da Região Oceânica. Sobre as tarifas dos ônibus que vão passar no túnel, o executivo disse que não foram definidas, mas espera que não sejam diferenciadas.
“Por conta das críticas às audiências anteriores, todo o planejamento para o transporte público foi incorporado e ele será priorizado. Já que, na época, não ficava claro se o túnel seria compartilhado ou só para carros. Fizemos um estudo de viabilidade que aponta que se o túnel fosse sem pedágio, 75% do fluxo da Região Oceânica viria por ele, continuando os engarrafamentos. Com o pedágio, o fluxo será dividido com o acesso do Largo da Batalha, que passa por obras de alargamento”, disse Marcolini.
O promotor de Tutela Coletiva de Defesa do Meio Ambiente, Luciano Mattos, vai protocolar as sugestões.
“A audiência pública não se esgota. O MP se compromete em pedir que o Inea avalie todas as questões ambientais apresentadas e vai avaliar as questões sociais”, destacou.
Mattos ressaltou que uma sugestão unânime foi a implantação de uma ciclovia, que, de acordo com o projeto, não seria viável por conta dos gases acumulados. A Emusa sugere ônibus que carreguem bicicletas neste trecho.
Em Charitas, o túnel terá entrada pela Avenida Sílvio Picanço, pegando parte do terreno do Hospital Psiquiátrico. No Cafubá, as galerias serão na Rua Raul de Oliveira Rodrigues.
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