Lagoa de Piratininga começa a receber primeiras obras de dragagem
Fase inicial da intervenção no local consiste na limpeza e desassoreamento para assim evitar degradação ambiental do sistema lagunar. População da região espera retorno dos peixes
As intervenções para as obras de dragagem da Lagoa de Piratininga começaram a ser realizadas. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), iniciou um trabalho de desassoreamento e limpeza em corpos hídricos da lagoa. De acordo com o órgão, a licitação para o início das obras de dragagem encontra-se em fase final.
O objetivo do projeto é reverter a degradação ambiental do sistema lagunar, aumentando a profundidade e a largura da Lagoa de Piratininga. Com essas medidas, serão feitas a renovação, a circulação e melhoria da qualidade da água da lagoa.
A obra faz parte do programa de recuperação de uma série de lagoas do estado, que ajudará a restabelecer as condições de pesca na lagoa, atividade que garante subsistência a dezenas de famílias na região.
Outra intervenção prevista na primeira etapa das obras é a dragagem parcial de uma ilha de assoreamento existente na lagoa. A previsão é que sejam retirados 206 mil metros cúbicos de terra e lodo.
No final do ano passado, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, informou que está sendo elaborado um mapa dos locais onde será feita a dragagem emergencial. Na época, Minc anunciou que ia identificar os pontos críticos. “O objetivo é localizar inicialmente os pontos mais críticos e depois ampliar a dragagem para toda a lagoa”, disse Minc.
População local crê em melhorais com a obra- Moradores esperam ansiosos para o início das obras que, de acordo com eles, iria contribuir para a volta da atividade pesqueira.
O carpinteiro Samuel Nogueira, de 46 anos, conta que a última dragagem realizada no local aconteceu há 35 anos e espera que a intervenção traga de volta o encanto do lugar. “A lagoa está assoreada e algo precisa ser feito, a última obra realizada aqui aconteceu há 35 anos. A lagoa possuía águas claras e uma grande quantidade de peixe, caso haja as obras de dragagem, acredito que o local voltará a ter os encantos de 40 anos atrás”, disse.
Já o aposentado Miguel Cosme da Silva, 68 anos, acredita que o fechamento do canal que liga as lagoas de Itaipu e Piratininga e abertura do canal com a praia solucionaria, com mais rapidez, os problemas. “A Lagoa de Itaipu é mais alta que a de Piratininga e contribui para o assoreamento. Por isso acredito que se houvesse o fechamento do canal que liga as lagoas e a abertura do canal da praia iria solucionar o problema e traria os peixes, aumentando a atividade pesqueira”, ressaltou.
Mas para o professor de Geoquímica Ambiental e coordenador da Rede de Meio Ambiente da UFF, Julio César Wasserman, a medida não seria uma boa alternativa e poderia acarretar a mortandade de peixes. “Neste momento não seria uma boa solução a abertura do canal da praia e o fechamento da ligação das lagoas. A abertura iria ocasionar no esvaziamento da lagoa, o espelho d’água iria diminuir e poderia acarretar em mortandade de peixe e prejuízo para o meio ambiente”, explicou o especialista.
Limpeza – Há cerca de três meses uma draga, que pertence ao programa Limpa Rio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), faz um trabalho de desassoreamento e limpeza em corpos hídricos na Lagoa de Piratininga. A atividade acontece em todo estado e garante aos rios o escoamento com rapidez e eficiência às águas.

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